Uma questão de Cultura
15/05/2009 · Leave a Comment
A identidade nacional brasileira é uma questão controversa. Não há como debater este tema e não nos depararmos com posições e opiniões apaixonadas em defesa aos atributos dos brasileiros que realmente nos distingue dos cidadãos do resto do mundo, ou o ataque feroz às diferenças, desigualdades e problemas sérios que vivemos em nosso país. Acredito que os dois lados tem razão na defesa de seus argumentos. Realmente temos atributos e características únicas, que se bem aproveitadas, poderiam fazer com que fossemos uma cultura exemplar em vários aspectos humanos.
Porém, na minha opinião, nosso problema pode ser resumido em uma única palavra: Cultura. E quando digo Cultura, estou me referindo às atitudes e posturas que distinguem pessoas civilizadas e preocupadas com o bem-estar comum, de pessoas ignorantes que agem, sem saber, contra estes princípios essenciais da vida em sociedade.
Cito alguns exemplos desta falta de cultura que permeia nossa sociedade: jogar lixo na rua, não dar preferência a idosos, gestantes e deficientes em situações cotidianas, não respeitar os pedestres e os ciclistas no trânsito, não tratar as pessoas com respeito, não ter ciência de seus deveres de cidadão e desta forma não trabalhar em prol do bem comum, não ter ciência de seus direitos de cidadão e desta forma não cobrar as autoridades quando estes direitos não são respeitados, burlar leis e convensões com o “jeitinho brasileiro” e se vangloriar disso, minimizar as críticas em relação aos nossos problemas culturais fugindo da responsabilidade de evoluir como pessoa, entre outras coisas.
Notem que são questões básicas e elementares, que qualquer pessoa com o mínimo de educação e cultura sabe que devemos respeitar. São ensinamentos básicos que deveríamos aprender em casa, no seio de nossa familia e na escola, com o exemplo de nossos professores.
Porém é justamente aqui que reside o nosso grande problema Cultural.
A familia brasileira, está cada vez mais distante destes ensinamentos básicos. Pais despreparados e excessivamente permissivos geram filhos arrogantes, inseguros e igualmente ou mais despreparados. Nas camadas mais pobres os pais não podem dar a atenção devida e necessária a seus filhos pois a labuta diária pelo sustento da familia tolhe seu tempo. Já nas camadas médias e ricas, o egoismo e a ganância exacerbada faz com que os pais priorizem a busca sem fim de bens materiais e releguem a atenção aos filhos à babás, empregadas e avós, que nunca suprirão esta carência que as crianças tem de referências paternas.
Infelizmente este ciclo não para e como bem disse Renato Russo em sua música pais e filhos:
“…Você me diz que seus pais não lhe entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser, quando você crescer?”
E a educação brasileira, que poderia ser a salvação deste problema nas famílias, mesmo sem a mesma força, está cada vez mais degradada. A começar pelo descaso dos governos com a qualidade do ensino e com a formação de professores realmente capacitados a não apenas ensinar a matéria em questão, como incutir, pelo exemplo, o que significa viver em sociedade, respeitando o espaço e os direitos de seu semelhante, nossas obrigações cívicas e profissionais.
Nosso governo perpetua a ignorancia em nossas escolas, com o sistema de Progressão Continuada, tentando maquiar os problemas causados por sua ineficiencia e descaso com o Ensino Público.
E quanto a cada um de nós? O que faremos diante desta situação?
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